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Blasfémias domingueiras

por Alda Telles, em 24.10.10


 


Este post aqui no Lugares Comuns faz um gentil "link" para uma gentil análise aqui, mas devem estar a falar de outro país. Se era Portugal, repetem-se falácias que de tão repetidas se espera se tornem realidade. Antes fosse.



1ª falácia: Criação de 8 mil postos de trabalho
O alargamento dos horários aos domingos e feriados à tarde não irá traduzir-se em novas contratações de pessoal, muito menos os tais 8 mil, infelizmente. Só quem não conhece a gestão de recursos humanos baseada em turnos e rotatividade é que não sabe que se dá resposta a picos de consumo com transferência de pessoal de períodos com menor fluxo de clientes para os novos horários de abertura.
Basta aliás analisar o emprego no sector do comércio para ver que está nos níveis de 2000 apesar de terem sido licenciados mais de quatro milhões de m2 de grandes unidades nos últimos dez anos (751 mil para 753 mil pessoas- 2 mil postos de trabalho criados em 10 anos, incluindo sector não alimentar).
Em contrapartida, o número de desempregados atingiu um número histórico no sector (96 mil pessoas no segundo trimestre de 2010, um aumento de 26 mil em relação ao segundo trimestre do ano passado).



2ª falácia: Portugal libertou-se da imagem de "terceiro mundismo" com esta extraordinária liberalização dos horários.


Falta só tirar das trevas a França, Alemanha, Belgica, Itália, Austria, Dinamarca, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Suécia, esses desgraçados países que mantêm o comércio encerrado aos domingos.


Portugal já tem aliás, neste momento, a maior janela horária da Europa. Aqui estamos no topo do ranking. Boa.


 


Sob a capa histérica dos malefícios ou benefícios do "estado social" (cabe lá tudo), não se consegue fazer uma análise sóbria e realista da absoluta necessidade de equilibrar os diferentes formatos de comércio, tal como é entendido nos países civilizados (perdão, terceiro-mundistas), de equilibrar o consumo, de equilibrar a vida das pessoas, a vida das cidades.

Só mais uma nota: As principais cadeias de retalho alimentar são também as principais importadoras nacionais. Teremos pois o mercado a funcionar e a balança a enquinar. Mas isso já deve estar previsto no OE2011.



Quanto à notícia do Correio da Manhã linkada pelo lpm, só me ocorre dizer: esteve uma bela tarde de domingo no Monte da Caparica, o Tejo estava lindo, preguiçoso debaixo do céu azul e do branco das regatas.

Informação adicional para quem estiver interessado:
Alemanha: de 2.ª a Sábado (é permitido até às 20 horas); Domingos (não é permitido, excepto raras excepções em locais turísticos).
Itália: de 2.ª a 6.ª (é permitido até às 22 horas); Sábados (é permitido até às 20 horas); Domingos e feriados (não é permitido).
Áustria: de 2.ª a 6.ª (é permitido entre as 5 horas e as 21 horas); Sábados (permitido até às 18 horas); Domingos e feriados (não é permitido); nas regiões de intenso turismo as lojas podem funcionar entre 66 e no máximo 72 horas por semana.
Grécia: tem os mesmos horários que a Itália, no entanto existe a possibilidade de as lojas permanecerem abertas durante as 24 horas de 2.ª a Sábado.
Dinamarca: de 2.ª a 6.ª (é permitido durante as 24 horas); Sábados (permitido até às 17 horas); Domingos (não é permitido).
Holanda: de 2.ª a Sábado (é permitido das 6 horas até às 22 horas); Domingos e feriados (não é permitido).
França e Bélgica: de 2.ª a Sábado (é permitido durante as 24 horas); Domingos e feriados (é permitido, mas a lei laboral não permite que os trabalhadores laborem ao domingo, logo só abrem as pequenas lojas com o proprietário).
Inglaterra e Irlanda: de 2.ª a Sábado (é permitido durante as 24 horas); Domingos (não é permitido).
Suécia: de 2.ª a 6.ª (existe grande flexibilidade de horários); Sábados (permitido até à meia-noite). Fechado aos Domingos.
Fonte: www.de-usw.com

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