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Fora da linha

por Alda Telles, em 05.11.10


 


Em dois dias consecutivos, a agência noticiosa Lusa rectificou (pelo menos) duas notícias. A rectificação em si é um processo relativamente normal quando corrige uma imprecisão, uma gralha, às vezes um nome ou um número.


 


Nos dois casos que baralharam os media clientes da Lusa, e por conseguinte os leitores, foram rectificações substanciais. Na ordem dos 360 graus.


 


O primeiro "engano" foi ontem, e está devidamente explicado aqui. Uma leitura errada e precipitada de um relatório da ONU, que "apenas" alterou o sentido da evolução de Portugal no índice de desenvolvimento humano de uma queda de seis lugares para a subida de um.


 


O segundo "engano" foi esta tarde. Às 17:30, a Lusa assegurava que "O Conselho de Disciplina (CD) da FPF absolveu o ex-selecionador Carlos Queiroz e mandou arquivar o processo movido pela direção da FPF e pelo vice-presidente Amândio de Carvalho por causa de uma entrevista dada por aquele ao semanário Expresso.". Às 18:16, a mesma Lusa garantia que "O Conselho de Disciplina (CD) da FPF puniu hoje o ex-selecionador Carlos Queiroz com três meses de suspensão e multa de 1250 euros, na sequência do processo que lhe foi movido pelo vice-presidente da FPF, Amândio de Carvalho.".


 


Primeiro problema: a Lusa, utilizada como "boa fonte" pela generalidade dos meios de comunicação social que a ela (abundantemente) recorrem, tem de controlar casos graves, resultantes de notória precipitação. Na voragem noticiosa, a edição on-line dos meios reproduz no mesmo segundo os takes, certos ou errados. No caso de ontem, a "queda de Portugal em seis lugares" surgiu imediatamente na TSF, Rádio Renascença, JN, Expresso, Diário Digital, Jornal de Negócios e Correio da Manhã.


 


Segundo problema, ainda maior: estes meios on-line, lestos na publicação imediata dos takes da Lusa (é um factor concorrencial), demoram horas a publicar as correcções ou reproduzem, bem depois da correcção, a primeira notícia errada (caso da SIC-Notícias sobre o índice de desenvolvimento humano). Na prática, apenas nos meios off-line, no dia seguinte, conseguimos encontrar a informação correcta. Entretanto, dezenas de milhar de pessoas já formaram a sua opinião.


 


Quando tudo se passa on-line, mas os meios não estão em linha, isto começa tudo a ficar desalinhado.


Organizem-se, por favor, senhores profissionais da comunicação.

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2 comentários

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Ana Matos Pires a 06.11.2010

Deve DE ser muito difícil essa coisa da organização, Alda.

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