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A coisa ali está preta

por Alda Telles, em 07.09.11


Moçambique acordou ontem com um outdoor que se veio a revelar um desastre de Public Relations.


Organizações feministas, mas não só, revoltaram-se contra a imagem e o slogan que consideram insultuoso para a dignidade humana.


A utilização do corpo da mulher é assunto eternamente polémico e continuamente popular, porque está provado que vende (não só aos homens, mas também às mulheres).


Contudo, no mundo ocidental, a imagem feminina na publicidade tende cada vez mais a ser associada a mulheres livres, activas, com personalidade.


Não acredito que a SABMiller, uma das maiores cervejeiras mundiais, ousasse produzir um anúncio semelhante ao da Laurentina num país fora de África. E também não creio que tenha ponderado que África já não é um colonato do ocidente e que os stakeholders de uma multinacional já não são apenas a pequena elite de governantes.

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6 comentários

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jonasnuts a 07.09.2011

Não sei se concordo com a afirmação "...no mundo ocidental, a imagem feminina na publicidade tende cada vez mais a ser associada a mulheres livres, activas, com personalidade...".

Lembro-me de uma campanha recente, da Opel, em que se mostrava um recém-casado a devolver a mulher ao sogro. O conceito da campanha era "experimente antes de comprar".

(Recente.... com cerca de 5 anos).
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atelles a 07.09.2011

Ainda há milhares de anúncios sexistas, e nem é preciso recuar cinco anos. Mas que as marcas inteligentes se estão a distanciar de certo tipo de linguagem e de imagem, não tenho dúvidas.
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Gonçalo Moreno a 08.09.2011

O novo presidente da Parque Expo, John Antunes, fez parte da Comissão de Honra de Assunção Cristas em Leiria.
http://www.cdsleiria.org/artigos/artigo?art=328&sec=220&fb_comment_id=fbc_10150263253026807_19699982_10150372198346807#f9ef54c915a074

GM
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atelles a 08.09.2011

Gonçalo, a informação que dá sobre a Parque Expo (que parece que afinal se vai manter pelo menos até 2013) é relevante no contexto político da administração pública. Só não consigo relacioná-lo com o meu post... estar-me-á a escapar qualquer coisa?
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Francisco Teixeira a 10.09.2011

Boas,

Realmente este anúncio roça um pouco os limites quanto àquilo que a publicidade deve ser. Não sou apologista do radicalismo demagógico que censura tudo o que aparece nem tão pouco do laissez faire debochado.

Não concordo com um dos comentários aqui exposto, em que a notoriedade, boa ou má, é boa para a imagem de uma marca. Graças à Internet, à consciencialização social, à maior informação e outros componentes, este tipo de estratégia é cada vez mais olhada de lado pelos consumidores.

Todavia, há que destacar um aspecto muito importante: esta publicidade não é para ocidental ver. Não conheço moçambique, mas já trabalhei em Angola em algumas cidades, num padrão muito diferente de muitos portugueses que lá vão, e que fazem o percurso hotel - trabalho - hotel. Dada a minha ocupação na altura (market research manager), tinha de ir para a rua, treinar entrevistadores, compreender os angolanos à luz da sua cultura.

Foi em finais de 2004 e o que vi foi uma sociedade ainda algo machista, adepta da publicidade de riso fácil em que esta campanha se enquadrava como uma luva. Mas, sejamos sinceros, já em 2004 as coisas estavam a mudar. Os Palops estão com muito maior consciência dos seus deveres e direitos, estão mais informados. Por isso vi, com muito agrado, montes de jovens estudantes na Praia Morena em Benguela, não a tomar banho, mas de bata branca a estudar as lições, andando pelo areal. Num Balcão da Linha aérea do país, vi um sujeito a passar à frente de todos na fila, supostamente repetindo atitudes de outrora já enrraizadas. Levou com um coro de protestos e acabou por descobrir, com humilhação, que Angola já não é bem o que era.

Tudo isto são sinais que rumam num sentido, e a publicidade apresentada vai em contra-mão.

É a minha opinião.

Cumpts,
Francisco
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atelles a 10.09.2011

Obrigada pelo seu comentário, com o qual concordo. Esse era o ponto principal do meu post, Francisco. As multinacionais não podem continuar a agir em África como se fossem sociedades com níveis de exigência diferentes das ocidentais. Há grupos emergentes de pessoas cultas e cientes dos seus direitos e dignidades, como o Francisco bem notou em Angola.

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