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Foi com este soundbite que Henrique Monteiro abriu ontem a sua intervenção num debate em Lisboa sobre saúde e comunicação. A frase gerou algumas reacções no auditório e no twitter, onde o partilhei. Foi entendido como um "mau sinal". Eu acho que foi um bom sinal.


 


Na área da saúde (e aqui falava-se sobretudo em saúde pública) tende a atribuir-se aos jornalistas a responsabilidade de "passar mensagens pedagógicas" sobre comportamentos, tratamentos, e até moldar crenças e percepções. Como Monteiro explicou, "o jornalista é um mediador de informação, não deve vestir o papel de comunicador", não deve aceitar o papel de educar, de "fazer passar uma mensagem". "É errado esperar dos jornalistas que façam formação em saúde. Os jornalistas procuram informação e transmitem-na aos seus leitores. Não são especialistas e, basicamente confiam nas suas fontes. Para passar mensagens, existem os programas da manhã na televisão, que não são feitos por jornalistas".


Com o enorme potencial de discussão que estas declarações podem gerar, sobretudo numa área sensível como a da saúde, acrescentarei que quem deve fazer comunicação são os médicos, com a ajuda de especialistas em comunicação. Estes especialistas em comunicação não são os jornalistas, são técnicos que adaptam, de acordo com objectivos concretos, a informação aos públicos-alvo, definem mensagens, simplificando ou destacando ideias-chave, determinando o momento certo para o fazer e os meios onde o fazer.


E este não é de facto o trabalho de um jornalista, que produz a informação segundo uma agenda de actualidade ou de investigação que não é necessariamente a agenda dos agentes da saúde.


Como ele disse, e eu subscrevo, cada macaco no seu galho.

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3 comentários

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Filipe Gil a 11.10.2011

100% de acordo consigo e com o Henrique Monteiro.
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Pedro Neves a 11.10.2011

Não posso deixar de concordar... o seu a seu galho! Jornalistas informam, Comunicadores - educam/elucidam.
No entanto, e dai o meu comentário, o Jornalista usa o seu "discurso jornalistico" muitas vezes (diria mesmo que sempre) para tornar uma informação factual numa "noticia de interesse jornalistico".
Não sei se me estou a fazer entender mas a ideia é que há muitas formas de "dar a noticia" e se o jornalista usa deste critério deveria estar a aberto a críticas sobre a forma como "deu a noticia" influenciando directamente a percepção dos factos pelo leitor/espectador.
É uma linha de dificil definição e a ética e isenção deveriam estar sempre presentes na forma (e no conteúdo... naturalmente) de informar.
A palavra escrita é demasiado poderosa para se ignorar os seus efeitos e se poder alegar tantas vezes que o papel do jornalista é apenas de "mediador de informação".

Just my 2cents... :)
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Francisco Velez Roxo a 14.10.2011

Esta coisa da comunicação (neste caso em saúde) é como a da inovação na morte: "hora a hora Deus melhora.Podes ter fé no rifão.Mas (atenção) não durmas descansado.Vai colhendo remédio pela tua própria mão."
E, acrescento eu," ... se acordares morto verás então se houve inovação no momento e estás num novo mundo da comunicação.".
Este debate foi de morte ainda que muito vivo. Mas demasiado enviesado por clara ausência de um objectivo e de uma clarificação do tema do debate cujo "titulo tinha o ambíguo titulo "saúde da Comunicação"
Na teoria já tudo isto foi "estudadissimo".Na prática, cada macaco no seu galho é verdade.Mas não me parece que "quem deve fazer comunicação são os médicos".
Proponho a teoria dos sistemas para redescobrir o "criminoso que arruinou a saúde da comunicação e a comunicação na saúde".:)
FVRoxo

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