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Foi com este soundbite que Henrique Monteiro abriu ontem a sua intervenção num debate em Lisboa sobre saúde e comunicação. A frase gerou algumas reacções no auditório e no twitter, onde o partilhei. Foi entendido como um "mau sinal". Eu acho que foi um bom sinal.


 


Na área da saúde (e aqui falava-se sobretudo em saúde pública) tende a atribuir-se aos jornalistas a responsabilidade de "passar mensagens pedagógicas" sobre comportamentos, tratamentos, e até moldar crenças e percepções. Como Monteiro explicou, "o jornalista é um mediador de informação, não deve vestir o papel de comunicador", não deve aceitar o papel de educar, de "fazer passar uma mensagem". "É errado esperar dos jornalistas que façam formação em saúde. Os jornalistas procuram informação e transmitem-na aos seus leitores. Não são especialistas e, basicamente confiam nas suas fontes. Para passar mensagens, existem os programas da manhã na televisão, que não são feitos por jornalistas".


Com o enorme potencial de discussão que estas declarações podem gerar, sobretudo numa área sensível como a da saúde, acrescentarei que quem deve fazer comunicação são os médicos, com a ajuda de especialistas em comunicação. Estes especialistas em comunicação não são os jornalistas, são técnicos que adaptam, de acordo com objectivos concretos, a informação aos públicos-alvo, definem mensagens, simplificando ou destacando ideias-chave, determinando o momento certo para o fazer e os meios onde o fazer.


E este não é de facto o trabalho de um jornalista, que produz a informação segundo uma agenda de actualidade ou de investigação que não é necessariamente a agenda dos agentes da saúde.


Como ele disse, e eu subscrevo, cada macaco no seu galho.

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3 comentários

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Filipe Gil a 11.10.2011

100% de acordo consigo e com o Henrique Monteiro.

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