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O meio é a mensagem, António Costa

por Alda Telles, em 08.11.11


 


As declarações de António Costa durante uma entrevista à Benfica TV inflamaram, muito naturalmente, os mais puros espíritos sportinguistas. Conforme reproduz "A Bola", o presidente da Câmara Municipal de Lisboa espera poder receber em breve o Benfica no Paços do Concelho, tal como aconteceu após a conquista do campeonato nacional no final da época 2009/2010. «Espero que tenha sido um ensaio para várias recepções nos Paços do Concelho. Esta era uma boa época para voltar a receber o Benfica», expressou António Costa, entrevistado pelo canal televisivo do clube da Luz.


 


Apanhei estas declarações num post do José de Pina no Facebook com um comentário que resume tudo aquilo que foi entretanto comentado pelas redes sociais e na blogoesfera verde : "Este individuo para mim está arrumado!"


 


Parece evidente que o cidadão António Costa tem o direito de assumir a sua preferência clubística (esta é uma marca que normalmente nos acompanha vida fora e há que assumi-la sem medos, para o bem e para o mal). Já o António Costa presidente da Câmara de Lisboa sofreu o efeito descrito na famosa frase de McLuhan "O meio é a mensagem". Sofre o efeito do meio por duas vias:


- no conteúdo (na mensagem) que se sente obrigado a dirigir aos adeptos benfiquistas, uma vez que está a falar para um meio inequivocamente identificado com o clube. É uma espécie de peer pressure que leva o entrevistado a dizer o que a audiência quer ouvir.


- e também pela repercussão e amplificação das declarações noutros meios de comunicação e em particular nos meios desportivos que, sabemos, são os de maior audiência em Portugal.


 


Este episódio, que colará a António Costa a indignação sportinguista como a indignação dos portistas se colou a Rui Rio, se tem uma explicação razoável em termos conceptuais, revela um erro de palmatória: pensar que uma entrevista a um meio desportivo não tem de ser cuidadosamente preparada.


É que esta entrevista acabou por ser um dos piores momentos de comunicação política de António Costa.




 



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9 comentários

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atelles a 08.11.2011

Nuno, tem razão e a comparação que fiz com Rui Rio não foi boa. Rui Rio foi "acusado" de neutralidade e indiferença em relação a uma (senão "a") instituição da cidade do Porto. O que António Costa fez foi uma descriminação em relação a um dos dois grandes clubes da cidade de Lisboa.
Quanto ao efeito que possa ter nos resultados eleitorais, muito provavelmente poucos ou nenhuns. Mas não deixou de ser um momento de comunicação negativa e a demonstração de que não há actos de comunicação neutros.Era esse essencialmente o meu ponto de reflexão.
Saudações leoninas;)

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