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Os novos oráculos

por Alda Telles, em 29.01.12


Foi uma grande animação, o fim do dia de sexta-feira com a "gralha" no´oráculo da SIC, analisada aqui por Nuno Azinheira. Quero, porém, ao contrário de Azinheira, acreditar que houve subversão digital nesta gralha. Imaginemos um insersor de caracteres (é assim que se chama esta arriscada profissão) a controlar-se durante vinte anos para não ceder à gralha fácil. O último dia do líder da CGTP era uma tentação, convenhamos.


 


Independentemente das razões serem mais ou menos fortuitas, o que este pequeno caso revelou é a importância e o poder do insersor de caracteres. Por uma letra, ou a sua omissão, se comunica. O poder de tirar essa letra está no insersor de caracteres. E não deixa de ter piada os titulos que acompanham uma peça televisiva se chamarem oráculos.


 


Lembraram-me que um ritual subversivo dos tipógrafos, durante a ditadura, era retirar o "n" às Contas Gerais do Estado. Os tipógrafos eram uma das profissões mais politizadas da época e detinham o poder das gralhas que passavam na censura. Esta gralha da SIC deverá ser vista por Carvalho da Silva como uma homenagem à democracia.


 


Os insersores de caracteres são os novos tipógrafos. A luta adapta-se aos novos meios de comunicação.


 

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5 comentários

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Ferreira Fernandes a 30.01.2012

Cara Alda Telles, interessou-me saber que os tipógrafos tiravam por vezes uma letra das Contas Gerais do Estado e essa letra ser o "n". Como foi no tempo da ditadura, não terá sido para chamar Cotas, de velho/velha, porque esse sentido só foi introduzido em Portugal depois de 1974, com a vinda de gente que viveu em Angola. Então, em que sentido foi? De cota, gibão, cota, peixe cartilaginoso dos mares do Sul, cota, quinhão, cota, lugar de audiência na corte dos Macorrolas? Ou tiravam essa letra para sugerir o tirar de outra? Gosto desta última hipótese pela carga de ironia: faz-me lembrar uma manifestação de anarquistas em Lisboa, 1975, contra Franco, que garroteava a sua última vítima. Passaram pela montra da Ibéria e não fizeram nada, passaram pela da Alitália e destruíram-na. Às vezes a melhor maneira de chamar a atenção para uma coisa é apontar outra.
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Guardiola a 02.02.2012

É isso. Uma gralha no período do cio.
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atelles a 03.02.2012

Ahahah, caro Ferreira Fernandes, no melhor post cai a gralha e, acredite, não tive qualquer intenção subversiva. Foi mesmo o verdadeiro, o original, o genuíno, Lapsus Linguae:)))
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JC a 03.02.2012

P: E pq eram os tipógrafos assim tão politizados? R: Pq para a profissão de tipógrafo era preciso saber ler bem e tb pq tinham de ler os textos que compunham.
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atelles a 03.02.2012

Verdade. Tinham uma cultura acima da média.

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