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Jovem, alista-te nas Public Relations!

por Alda Telles, em 10.10.12

 

As notícias sobre despedimentos massivos nos media atropelam-se. O caso mais recente do Público, com um despedimento colectivo de 48 pessoas, é a face mais visível e chocante de um prenúncio de hecatombe.

Por cá, passou ao lado o caso ainda mais grave do El País, com o despedimento de 128 jornalistas, um quarto da sua redacção.

 

O fenómeno é, contudo, global. E esta angústia que se sente não tem consolo na teoria de que o problema é o mau jornalismo, a incapacidade de adaptar modelos e outras leituras do mesmo nível de sapiência superior.

 

A angústia vem de se saber que a extinção de cada posto de trabalho de jornalista, a morte de cada meio de comunicação social, é um pouco da morte da democracia tal como a conhecemos - ou idealizamos -  na sua dimensão de pluralidade de informação e de opinião.

 

Como se isto não bastasse, surgem as teorias do fim do mundo: os jornalistas vão ser substituídos por uma horda de mercenários das relações públicas. A semana passada, o blog de Roy Greenslade no Guardian titulava um bombástico "More PRs and fewer journalists threatens democracy". Baseado em números dos Estados Unidos, Greenslade descobre que há uma proporção de 4 profissionais de Public Relations para 1 jornalista. Com tendência para aumentar.


Tal desigualdade pressupõe que vão acabar os "filtros" jornalísticos para garantir uma informação isenta e transparente. E, simultaneamente, pressupõe que a indústria de relações públicas continuará a florescer e a inundar a opinião pública de "press releases" formatados aos seus interesses.


Pela parte que me toca, como profissional de relações públicas, concordo com o título de Greenslade. Mas não pelas suas razões. Considero que há um risco de democracia porque as relações públicas só fazem sentido numa sociedade mediática plural e competitiva. À medida que se reduzem meios de referência e proliferam plataformas de comunicação desreguladas, decresce a importância e a vantagem competitiva dos profissionais.


Um dos pilares das relações públicas é a capacidade de influenciar opinião através da partilha de factos  e argumentos. Um bom profissional é aquele que melhor consegue partilhar esses factos e argumentos. Implica trabalho, estratégia, ética e capecidade de persuadir pela qualidade dos seus argumentos.

Quando já não houver interlocutores válidos para esse trabalho, qualquer um pode "distribuir" informação, em blogs, redes sociais e distribuidores automáticos de conteúdos.


Democracia pressupõe transparência, mas exige gate-keepers profissionais, de um lado e do outro. Democracia mediática não se sustenta numa lógica de caixas de comentários. Não foi para isso que estudámos e aprendemos com os melhores.


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